Y entonces va la vida y se hace pequeña, pequeñita.
Nicolás aguanta unas lágrimas en el alféizar de los ojos. El abuelo junta sus cejas despeinadas mientras le habla. No escucho las palabras pero sé que si interrumpo, se romperán los dos un poquito. Espero. Me acerco despacio hacia la puerta donde ellos son perfiles y se tensan.
-... me las pides a mí, lo has entendido?
Hablaban de galletas. De protocolo y respeto. De territorio y legados. Tal vez también del poder y la obediencia, de hacerse viejo.
Hablaban de galletas.
Nicolás no deja caer las lágrimas hasta que el abuelo, lentamente, le da la espalda.
La vida entonces se hace pequeña y los años, como las galletas, carecen de importancia.
quinta-feira, 30 de setembro de 2010
quarta-feira, 29 de setembro de 2010
Um conceito: arcaico.
"A greve geral é uma resposta arcaica". Suponho que é o mesmo, ou muito parecido, a dizer que está fora da moda. A moda: o conceito absoluto que rege este pequeno mundo "rico". A greve é uma resposta arcaica, fora de lugar. Suponho entao que o moderno é a reforma laboral. A reforma laboral que detém os relógios e viaja para outros tempos... tempos de antes de existirem os nossos direitos como trabalhadores. O moderno, claro, é a reforma laboral. Também voltam as saias rectas, os sapatos de saltos altos... e blah blah blah...
Será que o moderno é o medo.
Sinto tristeza, tristeza por nao saber como sinalar o final dum caminho. Por nao saber fazer esses sinais que alertem do perigo...
Será que o moderno é o medo.
Sinto tristeza, tristeza por nao saber como sinalar o final dum caminho. Por nao saber fazer esses sinais que alertem do perigo...
sábado, 25 de setembro de 2010
Impossível dizer apenas com palavras.
Dentro do sonho caíu a palavra mamai e eu acordei. Dia feirado.
Caíu a palavra mamai dentro do sonho e eu acordei sem a certeza de ser mamai ou ser eu quem chamava e ela quem acordava.
Ela: incorporada na cama escutando a palavra mamai que eu deitava entao no sonho.
-Mamai- mais uma vez.
A mamai era eu, o Nicolás o meu filho. E ela, mamai, agora já não estava.
Há coisas que nem mesmo com palavras. Fios que crescem no cérebro e atam a nossa alma muito longe de nós.
Caíu a palavra mamai dentro do sonho e eu acordei sem a certeza de ser mamai ou ser eu quem chamava e ela quem acordava.
Ela: incorporada na cama escutando a palavra mamai que eu deitava entao no sonho.
-Mamai- mais uma vez.
A mamai era eu, o Nicolás o meu filho. E ela, mamai, agora já não estava.
Há coisas que nem mesmo com palavras. Fios que crescem no cérebro e atam a nossa alma muito longe de nós.
quinta-feira, 23 de setembro de 2010
Enquanto escobo os dentes
Eu queria para mim esse mesmo olhar tao novo:
-Olha mamai, por quê os avioes têm as hélices aqui?
E desenha invissível no ar um avião bimotor ao que por faltar não faltam mesmo as cores, que até aí sou capaz de perceber. As hélices diante: uma em cada lado. O índice a tocar no ar.
-Mas, Nicolás, onde querias que as levassem...?
-Pois atrás.. como todos.. como os barcos...
Eu continuo a escobar os dentes diante do espelho e penso por quê aceito o mundo assim, tao simples, como é dado... se há tantos mistérios por compreender.
-A verdade.. não sei, Nicolás. Nao sei responder... Teremos que investigar.
-Olha mamai, por quê os avioes têm as hélices aqui?
E desenha invissível no ar um avião bimotor ao que por faltar não faltam mesmo as cores, que até aí sou capaz de perceber. As hélices diante: uma em cada lado. O índice a tocar no ar.
-Mas, Nicolás, onde querias que as levassem...?
-Pois atrás.. como todos.. como os barcos...
Eu continuo a escobar os dentes diante do espelho e penso por quê aceito o mundo assim, tao simples, como é dado... se há tantos mistérios por compreender.
-A verdade.. não sei, Nicolás. Nao sei responder... Teremos que investigar.
quarta-feira, 22 de setembro de 2010
Una reflexión y un consejo
La vejez deja nuestro pellejo colgando y desprotege los huesos. Nuestra hechura ósea queda al descubierto y el peso de todas las distancias nos hunde los hombros. Sucede lo mismo con nuestra identidad. La vejez la enflaquece y quedan como los picos afilados de lo que hemos sido. Si hemos sido malos, parece una palabra fácil pero es muy difícil, si hemos sido malos, la maldad se hace espinas en la mirada y en la boca, en nuestra siempre infantil manera de hacernos simples para llegar a la muerte. A él le está pasando. Por eso confunde el amor con la traición como se le sucedía al Rey Lear, por eso cuesta tanto estar cerca.
El único camino es hacer el mapa de nuestro relieve, corregir las puntas, los salientes, las manías,los excesos. Anotar cuidadosamente cada recodo a corregir, repasar el trazado y esforzarse cada día. No confundir jamás el amor con la traición.
Anotar cada día quién somos y a su lado, en letra clara, lo que queremos ser de mayores.
El único camino es hacer el mapa de nuestro relieve, corregir las puntas, los salientes, las manías,los excesos. Anotar cuidadosamente cada recodo a corregir, repasar el trazado y esforzarse cada día. No confundir jamás el amor con la traición.
Anotar cada día quién somos y a su lado, en letra clara, lo que queremos ser de mayores.
terça-feira, 21 de setembro de 2010
Coisas das que nao se pode sair.
A água cai morninha sobre a suas costas. Ele fecha os olhos e eu peço-lhe que apure, amanhá há escola e ainda temos que cear:
-Uma duche curtinha, Nicolás, va terminando!
Entao abre os olhos sob a água e com essa face de anjo sonhador que tem às vezes, responde:
-Olha mamai, há coisas que não deverias me deixar fazer, porque depois não posso sair delas...
-Que coisas, Nicolás?- pergunto um bocado surpreendida da sabedoria que intuo...
-Pois tomar a duche, ir a casa do meu amigo Gael, dormir... Depois nunca sei sair delas...
E mais uma vez, troco factos por filosofia: fecho a torneira e achego-lhe a toalha com meio suspiro para esconder o riso.
-Uma duche curtinha, Nicolás, va terminando!
Entao abre os olhos sob a água e com essa face de anjo sonhador que tem às vezes, responde:
-Olha mamai, há coisas que não deverias me deixar fazer, porque depois não posso sair delas...
-Que coisas, Nicolás?- pergunto um bocado surpreendida da sabedoria que intuo...
-Pois tomar a duche, ir a casa do meu amigo Gael, dormir... Depois nunca sei sair delas...
E mais uma vez, troco factos por filosofia: fecho a torneira e achego-lhe a toalha com meio suspiro para esconder o riso.
domingo, 19 de setembro de 2010
Y más.
Es que la injusticia me quita el sueño:
Este es un artículo brillante de Luís Ventoso. Limpio y claro.
Este es un artículo brillante de Luís Ventoso. Limpio y claro.
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